Cinco alunos portugueses apresentam projectos «de excelência» em Paris

O Concurso Europeu de Jovens Cientistas arranca sexta-feira
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Borboleta-monarca: tema de estudo de dois dos alunos

Um estudo sobre uma colónia de borboletas exóticas e uma bicicleta cuja pedalada alimenta um computador são os projectos “de excelência” levados por cinco alunos portugueses ao 21º Concurso Europeu de Jovens Cientistas, que arranca na próxima sexta-feira em Paris.

Até dia 15, 140 jovens de 38 países, entre os 14 e os 21 anos, vão submeter 87 trabalhos de várias áreas científicas à prova de um prestigiado júri.

Organizado pela Comissão Europeia e por iniciativa francesa, o evento conta com dois jovens da Escola Secundária Dr. Manuel Candeias Gonçalves (Odemira), em representação da equipa vencedora do concurso nacional, que inclui outros cinco colegas, e três alunos da Escola Profissional de Felgueiras, segundos classificados.

Vanessa Reis e Francisco Silva, de 16 e 17 anos, vão apresentar um estudo sobre a borboleta monarca, nativa do continente americano e considerada migrante de passagem em Portugal até há pouco tempo: depois de se descobrir uma primeira colónia residente mais a sul, os alunos encontraram outra em Odemira, identificando ainda outra espécie exótica, a planta hospedeira que lhe permite sobreviver.

Em princípio, a espécie não corre perigo de explosão demográfica na área porque tem predadores, uma ave papa-moscas, e tem um ciclo de vida diferente, cá é sedentária e reproduz-se todo o ano”, aponta Francisco.

Por solucionar ficaram duas questões, sobre o número inferior de fêmeas e os factores limitadores da expansão demográfica, para as quais Vanessa quer “continuar a procurar respostas”.

Para a professora Paula Canha, o projecto tem como mais-valias a inovação, a reunião de várias disciplinas (da estatística à ecologia), um nível de dificuldade “elevado” face à idade dos alunos e a estética, pois trata-se de uma espécie “muito bonita e apelativa” para o público.

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O concurso realiza-se na capital francesa

Já o projecto de engenharia de Felgueiras, orientado pelo professor António Torres, concilia exercício físico e tecnologias de informação com uma bicicleta estática ajustável que acumula energia para alimentar um portátil.

Segundo João Soares, um dos autores, todos de 17 anos, a pedalada é multiplicada quinze vezes e a energia mecânica é transformada em eléctrica através de um gerador, ficando armazenada numa bateria, enquanto um software específico indica a rotação da pedalada e a tensão da bateria.

António Costa explica que o trabalho envolveu várias disciplinas técnicas, mas adianta que o grupo quer melhorar o software, o design e a vertente de interactividade.

Os alunos esperam “representar bem” o país. “Vamos dar o nosso melhor. As expectativas são elevadas, mas é sobretudo uma oportunidade única de conviver com pessoas de outros países e áreas”, diz o colega António Faria.

Para a Fundação da Juventude, que acompanha as duas representações “de excelência”, a participação portuguesa tem evoluído “muito positivamente” a nível qualitativo e de interesse científico.

Segundo a directora, Maria Geraldes, os prémios são bem-vindos, mas o objectivo é também “proporcionar uma experiência única e determinante aos jovens, que contribua para o reforço do seu know-how, além de os estimular a continuar percursos de mérito e excelência”.

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